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O mundo cada vez mais um curral

Por em 9 jan 2014 em Marcador | Sem comentários

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Por vários anos, toda vez que me encontrava um pouco mais estressado ou naqueles momentos que precisamos voltar a ter contato com a natureza e o silêncio, meu “point” era um tradicional local. Mas este ano ele ficou no passado. E mostrou o quanto o mundo se torna um curral.

Este local é o Salto de Corumbá – GO. A apenas 2hs de Goiânia, é um lugar maravilhoso. Mas como tudo que se populariza no mundo, perde o sentido e enche demais. Sim, escolhi uma péssima data. Sim, estes locais precisam de popularidade para sobreviverem e lucrarem. Mas é ai que mora o maior problema das boas ideias. Será que as boas ideias são massificadas? Será que os bons momentos passamos ao lado de uma multidão, em engarrafamentos e excesso de pessoas? Acho que não. E por isto ficou no passado.

Mas a gota d’água foi quando tentamos subir no alto do salto, lugar tradicional onde passava 3 ou 4hs meditando embaixo de água corrente, e agora o vizinho fechou a cerca e colocou “leões de chácara” para não deixar ninguém passar. Sim, o local é perigoso. Sim, é propriedade privada do vizinho. Mas isto só mostra novamente o que nosso mundo se torna. Um grande curral, onde é preciso direcionar onde as pessoas podem ou não ir, para que não ocorram irresponsabilidades e quem pague o pato seja o dono do local. E mostra que a propriedade privada funciona até em um paraíso que deveria ser acessível para todos. E se fosse acessível, seria provavelmente superlotado… Sim, a parte popular do mundo é um curral lotado…

Lugares pequenos, humildes, tranquilos, silenciosos e vazios, não sobrevivem a “necessidade de lucro”. Nem vou entrar no tema de “sustentabilidade”, porque como vai se sustentar tanta necessidade de lucro? Tanta vontade de ganhar explorando a paisagem natural, onde a maioria das pessoas que vão nestes locais nem percebam a diferença entre o silêncio e a recreação diante da natureza,  pois só ouvem barulhos de seus “sons”, se estressam horas em filas para comer, se amontoam para todos os lados, sem contar a bebedeira. Fica difícil desfrutar a natureza.

Pra piorar, os dois locais que mais curtimos: o primeiro, rodizio constante e cheio de gente, mas deu para desfrutar pelos 15 minutos que ficamos. A cachoeira grande: violenta e estressante como o excesso de gente, 4m dentro d’água e a Catarina teve um ataque de pânico e saiu fora. Eu enfrentei ela por uns 15 minutos.

Mas eu aprendi uma coisa, se um lugar saturou, sempre haverá outros locais não encontrados onde podemos encontrar paz e silêncio. Vamos encontrá-los antes que vão a falência ou superlotem… Até o próximo curral!

Fotos por Catarina Carraro

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